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13.9.07

O Escolhido

Foi bom, não foi o melhor, mas foi mil vezes preferível às mulheres que andaram a apresentar os Oscars nos últimos anos. Não dá para esquecer as alfinetadas do Steve Martin, nem o humor perfeito para a ocasião de Billy Crystal. Pessoalmente, sou mais Colbert que Stewart, mas ainda assim não deixa de ser uma boa notícia, sobretudo quando as baixas audiências da transmissão de 2006 pareciam ditar a não recandidatura ao cargo de apresentador. A equipa Daily Show tem agora muitos bons meses para escrever tudo certinho. (Conan O'Brien terá que ficar para 2009.)

+ Info


3.9.07

"The Brothers Solomon"


Mais um Arrested Development à solta este Verão: Will Arnet é um dos irmãos que tem que procriar para dar um filho ao seu moribundo pai. O outro irmão, entregue à mesma cruzada, é Will Forte, um ex-SNL que aqui também se dedicou a escrever o argumento. Estreia esta semana, nos Estados Unidos e é realizado por Bob Odenkirk, um antigo writer do Ben Stiller Show, do Conan O'Brien e do Mr Show (onde faz duo com David Cross) - tudo coisas que aumentam ainda mais a curiosidade.

30.8.07

MOTELx


Nome feliz para o Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, que não parece de todo uma má ideia mas cujo o site, a uma semana do evento, ainda tem o aviso de "informação disponível brevemente" em tudo o que diz respeito a horários. Fora isso e não querendo parecer má pessoa ou o advogado do Diabo, porquê passar alguns mini-filmes da série "Masters Of Horror"?, coisinha recente e disponível para qualquer alma interessada no género. Bom nome, mas fala-se muito e continua-se a ver tudo em formato pequeno (e com isto não quero dizer que não vá ver uma coisa ou outra da restante programação, mas...).


29.8.07

Amigos


Mais Simon Pegg para breve: "Run, Fat Boy, Run" tem data para Outubro, em Inglaterra e Estados Unidos, e duvido que apareça por cá na mesma altura. Hank Azaria será o sidekick de Pegg, num filme que, descobri agora, terá a estreia na realização de David Schwimmer (Ross Geller, em "Friends").




26.8.07

"Hot Fuzz"

Desconheço a necessidade do distribuidor português colocar nas salas o filme de Edgar Wright (que também escreve o argumento, em parceria com Simon Pegg), quase 11 meses depois da estreia em Inglaterra, mas mais vale tarde que nunca, sobretudo porque sem a passagem pelo cinema os nomes não se constroem (se "Shaun Of The Dead" tivesse aparecido por Portugal haveria muitas mais pessoas a reconhecerem Simon Pegg agora, por exemplo). Diz-se que "Hot Fuzz" é para Novembro e parece que foi Nuno Markl que conseguiu o feito - como, não sei. Mas apetece-me pedir-lhe outros filmes para estrearem. (smiley face)



25.8.07

Robert Weide


"How To Lose Friends And Alienate People" está a ser rodado em Inglaterra e terá um cast principal interessante: Simon Pegg (cada vez mais relevante), Kirsten Dunst, Megan Fox, Jeff Bridges e Gillian Anderson. A maior atracção, contudo, é ter na cadeira de realização Robert Weide, um dos realizadores principais de "Curb Your Enthusiasm" de Larry David. A estreia será apenas para 2008, mas corre rumores que valerá a espera. Novos autores de comédia começam a aparecer, vindos, claro, da televisão.


Estreia: "Mr. Brooks"

Por cada pérola que se apanha no Verão, há sempre um tesouro maldito que se abre. "Mr. Brooks" não prometia nada, mas a falta de melhores oportunidades no cinema sentou-me à sua frente. Ainda tentei refugiar-me no William Hurt - que saudades de vê-lo num papel principal -, mas o seu papel é de tal modo impossível que não serviu. Depois, havia ainda Dane Cook, mas nunca consegui vê-lo para além da sua óptima pele de stand-up comedian na vida real. Restava-me Demi Moore e Kevin Costner, dois actores que não fazem parte da minha dieta. O resto foi um plot daqueles em que o nariz fica torcido de tanta desconfiança.


Indie

Ricardo Gross chamou bem a atenção para aquele que parece ser o único ponto de interesse para se ver Mysterious Skin, agora estreado depois de algum tempo na gaveta (pasme-se: é de 2004!). Não gosto de julgar os filmes pelos trailers - aliás, nem gosto muito de os ver antes dos filmes - mas o que a apresentação promete é a enésima história do jovem revoltado com tudo, desterrado na pequena cidade, lutando por esquecer o passado tortuoso, crescer e ser adulto à força. As imagens parecem decalcadas de todos os filmes (uns bons, outros maus) que têm povoado a cultura indie americana, desde que Sundance tomou conta do panorama alternativo. Talvez a música (Robin Guthrie e Harold Budd) seja uma boa desculpa para se ver "Mysterious Skin". E a Elisabeth Shue, claro.


Azar de títulos


"Knocked Up" de Judd Apatow está quase a estrear. Será em Outubro e, de acordo com este blog, vai-se chamar "Um Azar do Caraças". Acho que não vale a pena estar aqui a fazer o post a gozar com as traduções de títulos para filmes, mas o que mais me irrita é sentir que há um estranho plano estratégico de marketing para as comédias americanas, como se quanto mais palerma e básico for a frase mais pessoas palermas e básicas vão ver o filme (porque se assume, e com razão, que há mais pessoas palermas e básicas no mundo). Queria terminar lembrando-me da tradução portuguesa de "Clerks 2" de Kevin Smith, mas acho que de tão má que era o meu cérebro apagou-a totalmente...


22.8.07

Joy Control


É um dos mais aguardados filmes do ano para quem gosta de cinema, para quem gosta de música, para quem gosta de Joy Division, para quem idolatra Ian Curtis, para quem gosta de Anton Corbijn, e para quem acumula os gostos acima. A estreia do fotógrafo e realizador de vídeos no mundo das estreias em sala é logo com um dos mais esperados biopics modernos, agora que Kurt Cobain já está tratado. "Control" tem um fisicamente convincente Ian Curtis (Sam Riley) e as primeiras reacções críticas em festivais dão esperança à obra, que estreia algures entre Setembro e Outubro por essa Europa fora.
Curiosidade para alguns - menos que os fãs de Joy Division, é certo - é a montagem do filme estar a cargo de Andrew Hulme, dos O Yuki Conjugate. Vejam o trailer.

+ Trailer


21.8.07

Woody Allen 2007

Talvez a ausência de humor seja a particularidade mais notória do trailer, e consequentemente do filme, de Woody Allen para 2007, ainda antes do tal filmado em Barcelona com Scarlett e Penélope. Há que esperar por ambos...



17.8.07

Estreia: "Ratatouille"


Conta-se que Brad Bird - o realizador de "The Incredibles" - foi chamado de urgência para liderar o projecto "Ratatouille" e tentar salvá-lo do ponto morto onde se encontrava (a ideia nasceu em 2000). Os resultados estão à vista, por muito que a Pixar - e a Disney, que joga sempre a cartada silenciosa mais sonora - não seja uma empresa que se deixe facilmente perder no terreno: coesão narrativa, boa disposição mas fuga hábil ao humor fácil, e mestria e ritmo de realização muito, muito acima da média. Numa altura em que as animações tridimensionais aparecem de 2 em 2 meses, é fácil notar que a Pixar ainda lidera o mercado com uma ambição de fazer cinema que nenhuma outra parece querer possuir. Quem sentir falta dos gags pode sempre ver as curtas-metragens que antecedem os filmes - "Lifted" é, antes do "Ratatouille", mais uma pequena obra-prima da Pixar.

+ Trailer


15.8.07

Estreia: "Evan, O Todo Poderoso"


Triste figura faz aqui o Steve Carell. Não bastou o primeiro filme ter sido uma ode ao desperdício de uma ideia que poderia ser boa (porque tinha, para além da Jennifer Aniston, o Jim Carrey) como agora encharcaram tudo, não deixando sequer o actor de "40 Year Old Virgin" (e a Lauren Graham) vir à tona para respirar. Enquanto o filme explica a sua tese (façanha que se esgota rapidamente), Carell ainda consegue levar tudo para o disparate com o seu timing cool perfeito; mas depois o desastre acontece, e nem falo do dilúvio: Hollywood continua a sufocar as comédias com as mesmas estruturas narrativas (os maus muito maus, a história que encurrala o bom, o final feliz redentor quando tudo parece perdido, a moral que insiste em ser maior que o próprio filme), deixando-me saudoso por um belo filme de comédia tonta mas saudável. Depois de ter sofrido com a bicharada na "Noite No Museu", eis mais uma fábula para esquecer. Que venha rápido "Knocked Up".


13.8.07

Estreia: "Torre Bela"


É no grande saco do Verão que acabam por estrear em Portugal os filmes que por razões de baixa pressão comercial apenas encontram nesta altura espaço em sala para aparecerem. "Torre Bela" poderá ter sido um desses casos - e é apenas um dos melhores "filmes" que possivelmente veremos este ano. Usei as aspas porque na verdade "Torre Bela" é um documentário, filmado em 1975 mas em processo contínuo de edição e remontagem desde então. Para além das suas estrondosas capacidades técnicas, este filme coloca-nos no meio da história, da nossa história, como raramente vi alguém fazer. Durante a convulsão dos pós-25 de Abril, "Torre Bela" mostra-nos um microcosmos de revolução, algures no Ribatejo, espelhando o romantismo com que todos aderiam a uma cerca ideia - ainda que confusa - de liberdade. Tem ainda a felicidade de mostrar a aparição de Zeca Afonso para comunicar a sua "Grândola Vila Morena", numa espécie de carimbo oficial da Revolução e oferecendo a energia que porventura aquelas pessoas precisariam para prosseguir com os seus sonhos (ver still acima, retirado do Sound+Vision). Usando apenas o olhar (o documentário não tem narrador nem outro método de contextualização da realidade; apenas uma legenda no final revelando-nos o fim daquela ocupação), vamo-nos sentindo cada vez mais próximos dos desesperos, das conquistas, das frustações, das dúvidas de todos os que tentaram executar, tal como um oficial militar a certa altura diz, a sua lei. A aparente distância que a câmara de Thomas Harlan parece ter dos acontecimentos camufla a inteligente montagem que, nesta versão em 2007, parece ser finalmente a definitiva. Noções esplendorosas de cinema sobre um dos mais ricos períodos históricos de Portugal, fazem deste "Torre Bela" uma obra incontornável neste Verão, neste ano e para sempre.


8.8.07

Estreia: "The Host"


Estreia amanhã nas salas portugueses o grande blockbuster sul coreano dos últimos anos: "The Host". Vendido como um cruzamento entre "Alien", "Predator", "Godzilla" e um qualquer drama familiar baseado em casos reais, Joon-Ho Bong concretiza aquilo que tem vindo ser uma tendência nalguns filmes de horror/terror orientais: juntar mãe, pais, avós, filhos e casais de namorados no cinema. "Dark Water" de Hideo Nakata serve como óptimo exemplo desde género, mesmo que a versão americana explore com mais precisão o drama da história. "The Host" não é bom nem é mau, é assim-assim, mas talvez encha as medidas a quem caia de surpresa na sala de cinema. O que o estraga é precisamente o seu motivo de venda: não satisfaz como terror/horror/acção e o lado familiar é kitsch gratuito, num exagero claramente inspirado pela animação japonesa. Funciona como exercício, piada, e é capaz de potenciar gargalhadas se se puxar para o lado da paródia. Vai saber a pouco para muitos e ar fresco para outros. Pela curiosidade, ou ausência dos últimos tempos de monstros gigantes no grande ecrã, vale uma ida ao cinema.


2.8.07

"The Darjeeling Limited"


Wes Anderson é o rosto no cinema do miúdo indie nascido na primeira metade da década de 80, que pouco tinha para se agarrar depois de ver uns clássicos e esgotado os Coen - os melhores, pelo menos. A Sophia Coppola com calças, portanto. Retêm-se os últimos três filmes ("Rushmore", "Royal Tenembaums" e "The Life Aquatic Of Steve Zissou") e esquece-se a pérola "Bottle Rocket", escrita a meias com o cúmplice Owen Wilson. Ao quinto, trocou o mar pela Índia, numa viagem de comboio de três irmãos. "The Darjeeling Limited" estreia no Outono e já tem trailer. Ouve-se Kinks, "This Time Tomorrow".


26.7.07

Ulrich Muehe (1953-2007)


Não será um dos meus actores favoritos, até porque penso ter visto apenas dois dos seus filmes, mas o seu desempenho em "A Vida dos Outros" ("Das Leben der Anderen", 2006; o outro é "Funny Games" de Haneke) deixou marcas naquele que é ainda um dos mais interessantes filmes europeus dos últimos anos. Com uma contenção absolutalmente cortante, Ulrich Muehe interpretou na perfeição um espião alemão que percebe cedo demais o fim dos seus dias como peão de um estado vigilante, deixando-se contanimar pela liberdade intelectual dos seus espiados. Apesar dos prémios e do Oscar, o filme de Florian von Donnersmarck não esconde hesitações e um final algo forçado, mas tudo é recolocado no lugar pelos perfeitos actores, fundamentalmente por Ulrich, falecido este fim-de-semana.

+ Ulrich Muehe no Wikipedia


Monica Vitti


A RTP2 está a anunciar um documentário sobre Monica Vitti para esta sexta-feira. Para além de tudo o que fez na sua vida de actriz, para mim e para muitos cinéfilos mais hardcore, ela será sempre a musa perfeita de Antonioni (juntos na foto acima). "L'Avventura", "La Notte", "L'Eclisse" e "Il Deserto Rosso" fazem obviamente sombra a qualquer filmografia (até mesmo sobre "O Fantasma da Liberdade" de Buñuel), e foram esses filmes que colocaram Vitti no Olimpo das mulheres perfeitas do cinema. Por isto tudo, não sei se me interessa espreitar um documentário que, ainda por cima, faz a RTP2 anunciar Monica Vitti como uma das actrizes chave da comédia italiana.