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25.8.07

Estreia: "Mr. Brooks"

Por cada pérola que se apanha no Verão, há sempre um tesouro maldito que se abre. "Mr. Brooks" não prometia nada, mas a falta de melhores oportunidades no cinema sentou-me à sua frente. Ainda tentei refugiar-me no William Hurt - que saudades de vê-lo num papel principal -, mas o seu papel é de tal modo impossível que não serviu. Depois, havia ainda Dane Cook, mas nunca consegui vê-lo para além da sua óptima pele de stand-up comedian na vida real. Restava-me Demi Moore e Kevin Costner, dois actores que não fazem parte da minha dieta. O resto foi um plot daqueles em que o nariz fica torcido de tanta desconfiança.


17.8.07

Estreia: "Ratatouille"


Conta-se que Brad Bird - o realizador de "The Incredibles" - foi chamado de urgência para liderar o projecto "Ratatouille" e tentar salvá-lo do ponto morto onde se encontrava (a ideia nasceu em 2000). Os resultados estão à vista, por muito que a Pixar - e a Disney, que joga sempre a cartada silenciosa mais sonora - não seja uma empresa que se deixe facilmente perder no terreno: coesão narrativa, boa disposição mas fuga hábil ao humor fácil, e mestria e ritmo de realização muito, muito acima da média. Numa altura em que as animações tridimensionais aparecem de 2 em 2 meses, é fácil notar que a Pixar ainda lidera o mercado com uma ambição de fazer cinema que nenhuma outra parece querer possuir. Quem sentir falta dos gags pode sempre ver as curtas-metragens que antecedem os filmes - "Lifted" é, antes do "Ratatouille", mais uma pequena obra-prima da Pixar.

+ Trailer


15.8.07

Estreia: "Evan, O Todo Poderoso"


Triste figura faz aqui o Steve Carell. Não bastou o primeiro filme ter sido uma ode ao desperdício de uma ideia que poderia ser boa (porque tinha, para além da Jennifer Aniston, o Jim Carrey) como agora encharcaram tudo, não deixando sequer o actor de "40 Year Old Virgin" (e a Lauren Graham) vir à tona para respirar. Enquanto o filme explica a sua tese (façanha que se esgota rapidamente), Carell ainda consegue levar tudo para o disparate com o seu timing cool perfeito; mas depois o desastre acontece, e nem falo do dilúvio: Hollywood continua a sufocar as comédias com as mesmas estruturas narrativas (os maus muito maus, a história que encurrala o bom, o final feliz redentor quando tudo parece perdido, a moral que insiste em ser maior que o próprio filme), deixando-me saudoso por um belo filme de comédia tonta mas saudável. Depois de ter sofrido com a bicharada na "Noite No Museu", eis mais uma fábula para esquecer. Que venha rápido "Knocked Up".


13.8.07

Estreia: "Torre Bela"


É no grande saco do Verão que acabam por estrear em Portugal os filmes que por razões de baixa pressão comercial apenas encontram nesta altura espaço em sala para aparecerem. "Torre Bela" poderá ter sido um desses casos - e é apenas um dos melhores "filmes" que possivelmente veremos este ano. Usei as aspas porque na verdade "Torre Bela" é um documentário, filmado em 1975 mas em processo contínuo de edição e remontagem desde então. Para além das suas estrondosas capacidades técnicas, este filme coloca-nos no meio da história, da nossa história, como raramente vi alguém fazer. Durante a convulsão dos pós-25 de Abril, "Torre Bela" mostra-nos um microcosmos de revolução, algures no Ribatejo, espelhando o romantismo com que todos aderiam a uma cerca ideia - ainda que confusa - de liberdade. Tem ainda a felicidade de mostrar a aparição de Zeca Afonso para comunicar a sua "Grândola Vila Morena", numa espécie de carimbo oficial da Revolução e oferecendo a energia que porventura aquelas pessoas precisariam para prosseguir com os seus sonhos (ver still acima, retirado do Sound+Vision). Usando apenas o olhar (o documentário não tem narrador nem outro método de contextualização da realidade; apenas uma legenda no final revelando-nos o fim daquela ocupação), vamo-nos sentindo cada vez mais próximos dos desesperos, das conquistas, das frustações, das dúvidas de todos os que tentaram executar, tal como um oficial militar a certa altura diz, a sua lei. A aparente distância que a câmara de Thomas Harlan parece ter dos acontecimentos camufla a inteligente montagem que, nesta versão em 2007, parece ser finalmente a definitiva. Noções esplendorosas de cinema sobre um dos mais ricos períodos históricos de Portugal, fazem deste "Torre Bela" uma obra incontornável neste Verão, neste ano e para sempre.


8.8.07

Estreia: "The Host"


Estreia amanhã nas salas portugueses o grande blockbuster sul coreano dos últimos anos: "The Host". Vendido como um cruzamento entre "Alien", "Predator", "Godzilla" e um qualquer drama familiar baseado em casos reais, Joon-Ho Bong concretiza aquilo que tem vindo ser uma tendência nalguns filmes de horror/terror orientais: juntar mãe, pais, avós, filhos e casais de namorados no cinema. "Dark Water" de Hideo Nakata serve como óptimo exemplo desde género, mesmo que a versão americana explore com mais precisão o drama da história. "The Host" não é bom nem é mau, é assim-assim, mas talvez encha as medidas a quem caia de surpresa na sala de cinema. O que o estraga é precisamente o seu motivo de venda: não satisfaz como terror/horror/acção e o lado familiar é kitsch gratuito, num exagero claramente inspirado pela animação japonesa. Funciona como exercício, piada, e é capaz de potenciar gargalhadas se se puxar para o lado da paródia. Vai saber a pouco para muitos e ar fresco para outros. Pela curiosidade, ou ausência dos últimos tempos de monstros gigantes no grande ecrã, vale uma ida ao cinema.